Futebol Randômico

Futebol Randômico
A necessidade de um "blá-blá-blá" com futebol

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

A queda de Adílson

A demissão de Adílson pegou a todos de surpresa. Soube enquanto assistia a Paulista x Mirassol. A diretoria achou a pobreza do futebol em apenas algumas rodadas de paulistinha e uma de Libertadores inadmissível e resolveu por demití-lo, sem ter, aparentemente, um substituto, embora alegue pressa. Todos saíram perdendo: Adílson se desvalorizou perante o mercado após passagens frustrantes por outro time alvinegro de São Paulo e pelo Santos e o próprio Santos perdeu ao ter de recomeçar o planejamento da temporada no começo da mesma. O projeto da terceira estrela do time santista começa a ficar um pouco mais longe.
De fato, o futebol apresentado contra o Táchira não foi dos mais brilhantes, embora tenha sido com cara de Libertadores, um futebol mais operário e que se embasa na eficiência, coisa que faltou nas oportunidades criadas pelo Santos. Se aquele jogo terminasse nem que fosse 1x0, me arrisco a dizer que Adílson não cairia. Vale ressaltar que o Adílson, de fato, NUNCA dirigiu o time completo do Santos e nem com a maioria dos jogadores em totais condições, então não é possível avaliar sua passagem pelo glorioso alvinegro praiano.
A que se lamentar para os dois lados, parecia-se desenhar uma promissora e duradoura relação entre Adílson e Santos, o estilo do técnico encaixava como uma luva no time.
Há que se atentar para o calendário do futebol brasileiro. Ele teria alguma participação nessa oscilação tremenda de todas as equipes?

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Cartolagem NUNCA!

Vou aproveitar o momento para dizer uma vez só: esse blog JAMAIS falará de cartolagem. Futebol, para mim, é dentro do campo. O máximo que sai dele, são questões que tangem arbitragem, mudanças táticas e clima de estádio. Só para elucidar também que não é por eu ser um alienado (palavra que, infelizmente, muitos não sabem usar), um conformado com a situação. Acho sim que o tema deve ser DURAMENTE debatido, mas se eu fosse me empenhar em falar disso, eu faria um blog policial, não esportivo, além de deixar o leitor e eu vomitando até as vísceras tamanha a nojeira em que se encontra a situação.
E aproveito para dizer que esse será meu único momento de incoerência, sempre que você procurar por cartolagem aqui, só virá esse post, ou seja, alguma vez falei desses seres humanos indignos de qualquer atenção.
E aqui vai uma frase muito popular desse blog: "Se isso não é um sintoma da nossa decadência, o que será?"

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

O fim de uma bela história

Foi belo enquanto durou. Uma história de talento, dores e superação. Ronaldo encerrou a carreira de um jeito melancólico, sem aquele último lampejo que nos faz suspirar de maneira que nos tatue na memória uma última imagem dos bons tempos. Ronaldo parou muito acima do peso e digamos que de certa forma ele saiu pela porta dos fundos, uma vez que não levantou nenhum caneco para se despedir ou saiu de uma boa temporada mesmo que sem títulos. Ele apresentou bom futebol no primeiro semestre de 2009 e só, parou por ali, apenas com lapsos do que ele já foi um dia em alguns momentos bem diluídos pelo segundo semestre de 2009, por todo 2010 e por dois meses em 2011. Para ter um certo prestígio resgatado, deveria ter parado depois do primeiro semestre de 2009, mas contratos de marketing e sabe-se lá qual fator mais o impediram de tal fato. Mas o que ocorreu foi a aposentadoria de um atleta muito vencedor e sofredor, uma vez que teve de superar diversas dores, contusões e cirurgias. Ronaldo foi um dos maiores atacantes do futebol brasileiro, juntou-se a um seleto grupo que compões, por exemplo, Careca e Romário, que o torcedor, ao ver um atacante do seu time perder um gol feito pensar "puxa, o Ronaldo não perderia esse gol". Não há lamentos na parada de Ronaldo a não ser a falta de motivação do atleta em se preparar em alguns momentos, como o excesso de peso, as noitadas e o álcool. Mas o que se viu em campo, em muitos momentos, foi um fenômeno da bola.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Está valendo a fase de grupos da Libertadores-2011

Mais uma Libertadores está começando (pelo menos a fase de grupos). A competição tem uma atmosfera única. Sim, é MUITO desorganizado (principalmente quando comparamos com a UEFA Champions League), acontecem coisas insólitas como a mudança do regulamento, participam times de outros continentes e outras bagunças à la sulamericana, mas é uma competição dificílima e de muito prestígio, além de ser uma alegria única para o vencedor.
Particularmente falando, é minha competição favorita. Pelo clima das partidas, pela rivalidade feroz que ela gera e pelas histórias maravilhosas que ela proporciona.
Nessa Libertadores temos times brasileiros muito fortes para a disputa do título, mas nem todos vão longe na competição. Vamos por tópicos:
- Fluminense: entra como campeão brasileiro e só. O técnico é um fracasso em fases mais agudas da competição (vide os fracassos que teve com o São Paulo), o time vive com peças importantes contundidas e caiu num grupo casca grossa, dois times que são fortes em casa e uma complicada e desagradável viagem ao México. Pode chegar à fase eliminatória e, a partir daí, é possível acreditar no naufrágio tricolor pela falta de habilidade de seu treinador neste tipo de competição. Na minha opinião, cai nas quartas;
- Internacional: vai entrar motivado para tentar apagar o fracasso do Mundial de Clubes. Tem um bom time e com conjunto e um bom técnico (fez os melhores trabalhos nos brasileirões de 2007/2008/2009). Pode chegar nas semi-finais, talvez não vá mais longe pela perda de algumas peças. Na minha opinião, cai nas semi;
- Grêmio: o menos talentoso dos brasileiros, mas talvez o que mais sabe usar o fator casa, além de ter um antigo ídolo da torcida no banco. Por ironia, caiu no grupo mais fácil entre os brasileiros. Pode chegar nas quartas, o fator casa pode não ser suficiente para chegar em fases mais agudas. Na minha opinião, cai nas quartas em partidas dramáticas. Gostaria de ver um confronto em mata-mata contra o Internacional;
- Cruzeiro: tem um time muito consistente, que joga junto há um bom tempo, mas que peca na hora de ser incisivo para decidir, lembrando-se da final da Libertadores de 2009. Cuca tem a Libertadores engasgada após ele ter sido roubado pela arbitragem em 2004, isso pode ser um fator extra a motivá-lo. Pode chegar na semi. Na minha opinião, chega nas semi e será eliminado devido à falta de agressividade para decidir;
- Santos: o mais talentoso, caiu num grupo relativamente fácil, tem um bom grupo de jogadores e um técnico bom que necessita de títulos. É um dos grandes favoritos dessa Libertadores, por todo o investimento que rodeia a equipe. Tem MUITO time para chegar na final e fazer dois confrontos históricos com quem quer que seja. Na minha opinião, chega na final, mas não ouso em falar que será o campeão.
Vale lembrar que este blog sempre fará força para não cometer o famoso "pachequismo" de achar que todos os times brasileiros são favoritos contra quem quer que seja. Teremos times muito bons na disputa dessa Libertadores, como os sempre complicados times colombianos, o tradicional Nacional-URU, o bom time do Vélez Sarsfield, uma LDU que aprendeu a disputar a competição e um Estudiantes-ARG que, contornando o problema com Sabella, pode ir muito longe na competição, além de outros times que podem pintar como surpresa e Independiente-ARG e Peñarol-URU que podem se arriscar a recuperar o prestígio perdido.
Meu único lamento são as ausências de Boca Juniors-ARG, River Plate-ARG e São Paulo pelas históricas participações dessas equipes no torneio, mas muito provavelmente essas equipes não fizeram por onde merecer a vaga na importante competição continental.
Que comece e seja inesquecível...

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Cautela é bom e eu uso

Realmente não sei o que esperar da nossa seleção sub-20 que disputa o campeonato sul-americano da categoria. Me intriga o futebol apresentado pelos garotos comandados por Ney Franco. Não discuto a capacidade do treinador, acho que ele fez bons trabalhos por onde passou apesar de não ter trabalhado num grande centro. A propósito, não considero trabalhar no Rio grande coisa, o torcedor é menos exigente e os times cariocas disputam e ganham menos competições de alto nível. Mas voltando...
Óbvio que temos bons jogadores e que eles podem melhorar ainda mais com o tempo, como são os casos de Lucas, Casemiro, Neymar e Diego Maurício, por exemplo. Mas me preocupa um pouco não termos ainda um goleiro que acompanhe o ritmo do time, que seja destaque também. É bom lembrar que isso não significa que o goleiro não se torne um monstro debaixo dos três paus e que os jogadores citados anteriormente não se tornem jogadores da estirpe de Denílson: talento preguiçoso.
Quero deixar claro que não acho o jogo contra a Argentina uma prova de fogo, visto que a Argentina é a maior campeã mundial da categoria mas nos mundiais pra valer não fazem cócegas há anos. Além do mais, nossos hermanos não passam o melhor dos momentos no futebol como um todo.
As seleções sub-20 não deveriam ser tratadas como futuro do futebol dos países que representam. São grandes laboratórios sim, mas não pra tanto.
O futebol que o Brasil tem apresentado é cativante, sem dúvida, em nenhum momento disse o contrário nas linhas acima, mas não tratemos esses garotos como campeões virtuais em 2014. Consideremos essa competição como um aprendizado a mais.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Começar num bom momento

Escolho um bom momento para começar este blog. É um momento bem turbulento no futebol mundial, o que significa que é um momento apto para diversas análises e discussões, pois podemos estar em rumo a novos paradigmas do esporte bretão. Vou começar com a participação brasileira na rodada da pré-Libertadores, mas de forma mais específica:
É lógico que fiquei feliz com a eliminação alvi-negra. Não poderia ser diferente, sou ser-humano e torcedor de um rival, se fosse ao contrário, é óbvio que a mesma coisa aconteceria só que em direção vetorialmente oposta, futebol é isso. A passagem do Grêmio ficou de bom tamanho, por ser um time com muita tradição no torneio e o confronto contra o Internacional, que adquiriu tradição na competição, torna a Libertadores mais atraente por haver a iminência do confronto que faria o torneio pegar fogo. Essas são as considerações mais generalizadas, vou me ater à empreitada dos alvi-negros.
A eliminação teve uma faceta surpreendente, pelos alto salários do elenco alvi-negro, pela badalação vivida aqui no Brasil (em parte pelo "pachequismo" que aqui reina), pela IMENSA expectativa que a torcida sustenta na disputa da competição e pelo fato de nenhum time brasileiro ter sido eliminado nessa fase da competição desde que ela passou a ser disputada em 2005. Mas por outro lado, não é bem assim que funcionam as coisas. Tanto o Deportes Tolima quanto o clube alvi-negro ocupam a nona colocação no ranking de seus respectivos países feito pela Conmebol. Claro que o nono lugar no Brasil vale mais do que na Colômbia, mas isso visa mais o tamanho de seus times dentro de seus países. Mas a comparação fica mais obscura quando observamos a melhor campanha de ambos na história da competição: a melhor participação do Tolima foi chegar à semi-final em 1982, e a dos alvi-negros foi em uma semi-final em 2000. O Tolima precisou de 5 participações para tal feito, os alvi-negros precisaram de 9. Se analisarmos por esse espectro, quem passasse não poderia ser considerado zebra. O que tornou zebra foi o cotejo entre os investimentos que ambos os times fizeram, o dos alvi-negros, indubitavelmente, foi MUITO superior ao dos colombianos, aliás, se é que os colombianos investiram, posto que perderam diversas peças após a boa participação na Copa Sulamericana do ano passado.
A sanha dos alvi-negros em conquistar o torneio é devido aos seus rivais todos já terem pelo menos uma conquista, e isso acaba por pressionar todos os envolvidos. Um grupo de Libertadores é montado não com contratações, mas com o que se vive no dia-a-dia do futebol. As alegria, os traumas, as vitórias, as derrotas e, por que não, os empates formam o time com consistência de campeão de uma competição tão difícil. Um time com tal vivência não se desesperaria como os alvi-negros se desesperaram após tomar o primeiro gol na partida em Ibagué, ou jogaria com maior sabedoria a partida de ida na edição passada na eliminação contra o Flamengo, ou teria mais calma quando era mais time que o Palmeiras e poderia ter liquidado o jogo e por aí vai.
Não se montam times para temporadas, os times são montados de acordo com a história de cada clube.

Cena comum nas participações alvi-negras na Libertadores